Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012

Nem no sexo há tolerância

Não é fácil explicar às crianças, àquelas que têm a felicidade de não ter deficiências físicas nem mentais, às que têm um tecto e comida quente, numa mesa, às que podem ver televisão, brincar com playstation e outros jogos, às que têm a possibilidade de estudar, às que têm carinho e acompanhamento dos pais, quer estes estejam juntos ou tenham decidido fazer vidas separadas. Não é fácil, para elas, perceber que devem comer, mesmo o que gostam menos, porque há meninos a morrer à fome, a viver na rua, ao frio, com pouco para brincar, ou, até a trabalhar.

 

Mas ouvir um adulto, neste caso, uma senhora de 52 anos, ligar para um programa de rádio (prova oral, na antena3) para, muito incrédula, diria quase ofendida, dizer que não entende como é que é possível que a ouvinte anterior, quase 20 anos mais nova, tenha problemas de lubrificação, parece-me o fim da picada, uma infantilidade, um retrato da (in)tolerância que se vive nos dias de hoje (mas que pensei que fosse muito mais prevalente na população mais jovem). Como é que é possível que uma mulher feita ostracize outra, só porque a sua vida sexual é, segundo a própria, maravilhosa, e não entende que outras mulheres possam não ter vidas sexuais plenas, como a sua. A coisa foi de tal forma ridícula, que dei por mim quase a sorrir, tal era a estupidez; acharmos que toda a gente tem obrigação de ser como nós, não aceitar, não compreender as diferenças. Pior, enxovalhar quem foge do seu padrão. Fazendo uma comparação muito radical, é quase o mesmo que indagar o motivo pelo qual algumas pessoas não sabem ler, já que é tão fácil.

 

Hoje em dia é quase tabu uma mulher assumir que não tem orgasmos, que tem dificuldade em lubrificar, ainda que ela e o companheiro se amem e que ele se preocupe sempre com ela. É mais natural alguém assumir a sua homossexualidade, que uma mulher jovem dizer que não atinge a plenitude do acto sexual. Porque no tempo das nossas avós, ou das nossas mães, é que isso acontecia, quando as mulheres não eram emancipadas, quando o sexo era envergonhado e uma obrigação marital: só era falado entre lençóis, e baixinho…

publicado por fraufromatlantida às 18:22
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