Quinta-feira, 23 de Agosto de 2007

Cobardia... dos meus próprios sentimentos...

O ser humano é uma coisa rara, no que toca a emoções...

Comecei este blog com o objectivo, ainda que enterrado no mais fundo de mim mesma, de fazer emergir alguns pensamentos afundados.

Fez um mês que descobri, ao fim de quase 2 anos, que ele tinha outra. Foi numa festa para a qual tinha sido convidada por um amigo que, para minha surpresa, era comum a ambos. Nesse dia tínhamos discutido... Fiquei de rastos com algumas das palavras dele: que a nossa relação não tinha sido profunda o suficiente para que eu estivesse a reagir daquela forma, entre outras coisas. Doeu muito, porque para mim foi muito profunda e muito sentida. Há umas semanas tinha ficado claro, na minha cabeça e no meu coração, o ponto final que tinha que colocar nesta história. Pela primeira vez, ele teve a hombridade de não deixar dúvidas suspensas no ar, como fez tantas vezes. Dava uma no cravo e outra ferradura... O típico deixar "em banho-maria". Que não dava, mas sempre a dizer que eu era a mulher mais fantástica que ele conhecia, que era uma querida, que não me resistia... Que o problema era dele! Eu sempre a desculpá-lo, a pensar que era uma fase que estava a atravessar , com alguns problemas que eu sabia existir (mas que agora já duvida da sua veracidade). Arranjei desculpas para os fins-de-semana em que ele não me incluía ; eu nunca me afastava muito, apesar dos convites, na esperança de que ele ligasse, mudando de ideias. Para os telefonemas que não atendia e para os dias em que não estávamos juntos; mais uma vez, fechava-me em copas, na expectativa de que telefone tocásse e eu o pudesse ver... Toda a gente me dizia que era muito estranho, como é que eu aguentava, que nunca me imaginaram numa situação destas, eu, vivaça, que sempre soube o que quis, e que este género de relação me repugnava. Que ele devia ter outra! Nem pensar, que ele andava era com muito trabalho, cheio de problemas e que outra, punha eu, estas mãos tocam as teclas, no fogo!! No fogo!! Quando estávamos juntos, parecia que o tempo parava. Sempre muito carinhoso. Em dias mais conturbados, só o facto de o ouvir me acalmava. Lancei-me neste post depois de ter lido o do supreme. Tenho feito uma introspecção e concluo que nunca quis acreditar! Esse foi o meu problema... Estavam lá alguns, senão todos, os sinais mas, para mim, era impossível! Achava que ele me conhecia e me respeitava. Que sabia que eu abominava determinadas coisas, porque o tinha deixado claro: que acreditava no amor enquanto durava e era bom para ambas as partes; que gostava de exclusividade; que, quando a vontade de estar com outra pessoa fosse superior, por qualquer motivo, que o dissesse. Ele anui...

Assim que cheguei à festa, vi-o: estava acompanhado por um casal. Não lhe disse nada na altura, porque estava acompanhado e tínhamos tido a tal troca de palavras. Não sabia como iria reagir. Foi à mesa presisamente na altura em que tinha acabado de comer e ia buscar uma bebida. Aproveitei a deixa e abordei-o! quando me vê (não sei se já me tinha visto), desfere o primeiro golpe:

- Será coincidência?! - Fiquei azul! Que lata! Terá pensado que fui atrás dele, eu, que nunca o fiz quando estávamos "juntos", ia fazê-lo agora, que começara, finalmente, a arrumar o meu coração?!

Expliquei  que o X me falara da festa há cerca de um, e que eu dissera que iria.

- O XPTO?!

- Conheces?! - pergunto eu.

Disse que ia ao balcão buscar uma bebida. Ele pede que volte. Voltei, contrariada, ainda a sangrar do primeiro golpe, mas com um sorriso na cara:

- Eu estive na última festa, convidado por uma colega, que trouxe uma amiga e que é, hoje, minha namorada. Estou aqui com ela! - Segundo golpe!! Caiu-me tudo! O mundo desmoronou-se, mas o meu sorriso ficou, estoicamente!!

Nunca lhe tinha ouvido aquela palavra a meu respeito: namorada!!

- Boa... Acho que fazes bem! Bom, vou lá fora ter com o meu grupo.

E afastei-me, com o coração num alvoroço e o sorriso, que já parecia de pedra, e que fiz questão de manter até não aguentar mais.

Ouço chamar "Atlântida! ATLÂNTIDA!!" Virei-me. Era o XPTO, que estava no meu do grupo dele! Começei a tremer. "Vem cá." Lá fui. As minhas pernas pareciam varas verdes; tive medo que se notasse.

- Este é A, esta é B, esta é C, este é D, esta é E e este é o Sac. - e o ignóbil disse olá e cumprimentou-me... Outra vez! Como se não me conhecesse. como se fosse a primeira vez que encostara o seu rosto ao meu!! Já não ouvia nada.

- Blá blá blá...

Conheço muita gente que se teria virado para ele e perguntado se não me estava a reconhecer, que eu era aquela com quem ele tinha dormido 1,5 anos. Outras, logo aquando da confisão, tinham armado escândalo. Eu só pensava em manter o sorriso, por muito que custasse. Com ele, e os ouvidos a zumbir, virei costas e voltei para o meu grupo. Aguentei mais uma hora e fui-me embora, de rastos.

Esse fim-de-semana foi dos piores da minha vida. Revoltada comigo, pela minha cegueira, por me ter entregue a quem não merecia, a quem não estava lá, só o seu corpo. Começei o feed-back aos 2 anos e "vi" muita coisa. "Vi", por exemplo, que eles não se tinham conhecido na festa anterior, mas, pelo menos, há 5 meses. "Vi", que mesmo que não tenha sido sempre esta, ele sempre teve outra(s). Senti-me uma puta, com a diferença de não ter lucrado nada com isso. Só gostava de mim na cama. Ainda vinha com utupias sobre amizade... Nem um pedido de desculpas! E isso, só me faz pensar que lhe sou completamente indiferente, ou que a errada, no meio de tudo, sou eu...

Ao contrário do supreme, não quero acreditar que todas as estórias de amor acabem assim. Não quero extrapolar e generalizar. Não quero viver num mundo de sacanas, mentirosos, falsos, dissimulados; era demasiado horrível! Sei que há gente que está no outro prato da balança, e que torna este viver suportável. Não acredito em príncipes encantados (já não tenho idade para isso e já tenho alguma experiência de viver feita), mas quero acreditar em homens que ainda sabem encantar e ser encantados.

sinto-me:
música: U2 - One
publicado por fraufromatlantida às 10:15
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