Terça-feira, 31 de Julho de 2012

Ser pai...

Quase ao cair do pano, na recta final das férias, a coisa descambou e mais novo apanhou. Duas vezes. Tínhamos 2 períodos de leitura por dia: o primeiro depois de almoço e o outro antes de dormir. O irmão adora ler e leu o livro que levou, um de “Uma aventura”, que foi meu, e começou a ler o do irmão, que só foi lendo à custa de negociações. Opostos. Estávamos no período de leitura nocturno; o mais velho a ler, ele a implicar. Foi avisado. Já se tinha portado mal à tarde, não tendo levado castigo (contrariamente à minha opinião). À segunda, apanhou. Mas voltou a ser malcriado, e apanhou novamente. Baba e ranho e que as férias não tinham valido nada e nunca mais ia com o pai…

 

Apagadas as luzes, pressinto que o meu homem não está bem. Faço festas na cara e vou subindo até aos olhos. Já estava à espera, as lágrimas corriam até às orelhas. O meu coração apertou e, em silêncio, chorei também. Por ele. Que se esforça, por vezes demais, por ser bom, e a quem a punição custou cerca de meia hora de dor de alma, até que o cansaço venceu. E fui pensando se, quando os meus pais me batiam, se quando os pais da minha geração batiam, reagiam da mesma forma.

publicado por fraufromatlantida às 12:22
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Quarta-feira, 11 de Julho de 2012

Férias All Inclusive - Portugal vs Espanha

Infelizmente, não é só no futebol que perdemos, contra Espanha... Perdemos no preço do combustível, no IVA, nos ordenados, nos museus famosos e nas férias "all inclusive", de uma forma brutal, etc. 

 

Dentro de 10 dias, partimos de armas e bagagens para Punta Umbría, para o Barceló Punta Umbría Beach Resort, de 4 estrelas. Bem sabemos que, ao passar férias cá dentro, ajudamos a nossa economia, mas a verdade é que ficamos sem vontade ao comparar preços; os Espanhóis batem-nos aos pontos! Já para não falar no facto de terem melhor serviço "all inclusive".

 

Só para terem uma ideia, vamos pagar €233 por noite, com 2 crianças. É verdade que não é barato, mas considero uma pechincha quando vejo preços exorbitantes de "acampamento" de luxo do Zmar Eco Campismo Resort & Spa onde, 1 noite para os 4, na mesma altura, ficaria em €209 com pensão completa (e isto significa que se tem direito apenas a pequeno-almoço, almoço e jantar, sem bebidas), ou com o Suites Alba Resort & Spa, onde a nossa noite sairía à módica quantia de €573!! E, se tiverem em conta a diferença do que faz parte do All Inclusive num e noutro, entenderão porque decidimos dar dinheiro aos Espanhóis, em vez de o deixar por cá. Esta é a triste realidade. Sim, o Suites Alba é um 5 estrelas, mas justifica toda a diferença?

 

Será que o país sabe que está em crise!?

publicado por fraufromatlantida às 14:54
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Sexta-feira, 6 de Julho de 2012

Negócios de Sangue

Sempre achei que devemos fazer algo pelos outros. Já fiz mais que actualmente... Mas uma coisa a que me dispunha continuar, apesar de só ter iniciado aos 24 anos, era a dar sangue. Interrompi há cerca de 2 anos, quando comecei a fazer acunpunctura, pois no papel que nos dão para assinar, existe uma alínea sobre agulhas (não me recordo o que diz). Cheguei a enviar um e-mail ao Presidente do, então, Instituto do Sangue, explicando que os receios sobre a acunpunctura eram infundados, uma vez que só são usadas agulhas descartáveis. Respondeu diplomaticamente dizendo que era a lei...

 

Entretanto, andei a magicar que, de facto, o sangue faz falta e que esta omissão sobre a acunpunctura não prejudica ninguém, pois as agulhas, estéreis, são abertas à minha frente e, cada vez que se gasta uma caixa de agulhas, pago, à parte, uma nova. Estou de consciência tranquila.

 

Mas, eis senão quando, há umas semanas, leio que o hospital de São João está a fazer um grande negócio com o sangue que, dezenas de pessoas, com o o objectivo único de serem prestáveis, de trazerem benefício a alguém, doam. Fiquei a ferver! Então eu enfio uma agulha do calibre dum canhão (sim, que aquilo não é para brincadeira e eu sou uma flor-de-estufa) na veia, tenho, várias vezes, necessidade de que me ponham a fazer o pino porque quase me dá um fanico, fico com o braço negro por uns dias, numa atitude altruísta e há instituições que fazem dinheiro com o meu sangue!? E com o dos outros?! E ainda vêm para os jornais encher a boca, como se estivessem a fazer uma grande coisa? E se, em vez de sangue, eu doasse um rim? Faziam um leilão para ganhar dinheiro.

 

Isto a propósito da notícia de hoje, de que as reservas de sangue estão no mínimo o que, possivelmente, terá como conseguência o adiamento de algumas cirurgias. Eu confesso que me dá um nó na garganta, e lamento a situação. E, se uma parte de mim tem vontade de ir a correr dar sangue, a outra parte sente asco por esta atitude tão desrespeitosa por quem dá, em troco de nada.

 

 

publicado por fraufromatlantida às 09:53
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Segunda-feira, 2 de Julho de 2012

Do poderio da Alemanha

Apesar de não concordar com a forma como os Gregos estão a encarar a crise, uma vez que me parece  ter sido fruto de anos e anos de muita mama para toda a população, e não só para alguns, como aconteceu cá, não posso deixar de achar arrogante a atitude da Alemanha que, depois de duas razias à Europa, depois de ter sido resgatada e perdoada (e aqui não falo de perdão financeiro, apenas, mas de perda Humana), vem com uma atitude arrogante, sem moral, ponderar o afastamento da Grécia do Euro.

 

Por isso, publico o texto de Sérgio Soares (jornalista), que põe o dedo na ferida:

 

"Em 1953, a Alemanha de Konrad Adenauer entrou em default, falência, ficou Kaput, ou seja, ficou sem dinheiro para fazer mover a actividade económica do país. Tal qual como a Grécia actualmente.
 
A Alemanha negociou 16 mil milhões de marcos em dívidas de 1920 que entraram em incumprimento na década de 30 após o
colapso da bolsa em Wall Street. O dinheiro tinha-lhe sido emprestado pelos EUA, pela França e pelo Reino Unido.

Outros 16 mil milhões de marcos diziam respeito a empréstimos dos EUA no pós-guerra, no âmbito do Acordo de Londres sobre as Dívidas Alemãs (LDA), de 1953. O total a pagar foi reduzido 50%, para cerca de 15 mil milhões de marcos, por um período de 30 anos, o que não teve quase impacto na crescente economia alemã.

O resgate alemão foi feito por um conjunto de países que incluíam a Grécia, a Bélgica, o Canadá, Ceilão, a Dinamarca, França, o Irão, a Irlanda, a Itália, o Liechtenstein, o Luxemburgo, a Noruega, o Paquistão, a Espanha, a Suécia, a Suíça, a África do Sul, o Reino Unido, a Irlanda do Norte, os EUA e a Jugoslávia.
 
As dívidas alemãs eram do período anterior e posterior à Segunda Guerra Mundial. Algumas decorriam do esforço de reparações de guerra e outras de empréstimos gigantescos norte-americanos ao governo e às empresas. Durante 20 anos, como recorda esse acordo, Berlim não honrou qualquer pagamento da dívida.

Por incrível que pareça, apenas oito anos depois de a Grécia ter sido invadida e brutalmente ocupada pelas tropas nazis, Atenas aceitou participar no esforço internacional para tirar a Alemanha da terrível bancarrotaem que se encontrava.

Ora os custos monetários da ocupação alemã da Grécia foram estimados em 162 mil milhões de euros sem juros. Após a guerra, a Alemanha ficou de compensar a Grécia por perdas de navios bombardeados ou capturados, durante o período de neutralidade, pelos danos causados à economia grega, e pagar compensações às vítimas do exército alemão de ocupação.
 
As vítimas gregas foram mais de um milhão de pessoas (38 960 executadas, 12 mil abatidas, 70 mil mortas no campo de batalha, 105 mil em campos de concentração na Alemanha, e 600 mil que pereceram de fome). Além disso, as hordas nazis roubaram tesouros arqueológicos gregos de valor incalculável.

Qual foi a reacção da direita parlamentar alemã aos actuais problemas financeiros da Grécia? Segundo esta, a Grécia devia considerar vender terras, edifícios históricos e objectos de arte para reduzir a sua dívida.

Além de tomar as medidas de austeridade impostas, como cortes no sector público e congelamento de pensões, os gregos deviam vender algumas ilhas, defenderam dois destacados elementos da CDU, Josef Schlarmann e Frank Schaeffler, do partido da chanceler Merkel. Os dois responsáveis chegaram a alvitrar que o Partenon, e algumas ilhas gregas no Egeu, fossem vendidas para evitar a bancarrota.
"Os que estão insolventes devem vender o que possuem para pagar aos seus credores", disseram ao jornal "Bild". Depois disso, surgiu no seio do executivo a ideia peregrina de pôr um comissário europeu a fiscalizar permanentemente as contas gregas em Atenas.

O historiador Albrecht Ritschl, da London School of Economics, recordou recentemente à "Spiegel" que a Alemanha foi o pior país devedor do século XX. O economista destaca que a insolvência germânica dos anos 30 faz a dívida grega de hoje parecer insignificante.

"No século XX, a Alemanha foi responsável pela maior bancarrota de que há memória", afirmou. "Foi apenas graças aos Estados Unidos, que injectaram quantias enormes de dinheiro após a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, que a Alemanha se tornou financeiramente estável e hoje detém o estatuto de locomotiva da Europa. Esse facto, lamentavelmente, parece esquecido", sublinha Ritsch.
 
O historiador sublinha que a Alemanha desencadeou duas guerras mundiais, a segunda de aniquilação e extermínio, e depois os seus inimigos perdoaram-lhe totalmente o pagamento das reparações ou adiaram-nas.
 
A Grécia não esquece que a Alemanha deve a sua prosperidade económica a outros países.
Por isso, alguns parlamentares gregos sugerem que seja feita a contabilidade das dívidas alemãs à Grécia para que destas se desconte o que a Grécia deve actualmente."

publicado por fraufromatlantida às 11:35
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